https://journalmhr.com/index.php/jmhr/issue/feed Journal of Multiprofessional Health Research 2021-06-18T12:06:54-03:00 Prof. Dr. Magno Merces magno.merces@journalmhr.com Open Journal Systems <p>The Journal of Multiprofessional Health Research -JMHR (ISSN 2675-8849) is an open access, peer-reviewed, interdisciplinary scientific journal, with publications in continuous flow, linked to Editora Sanus. It covers the following areas of knowledge: Health Sciences, Public Health, Human and Animal Medicine. Thus, it ratifies its interdisciplinary and multiprofessional character regarding the dissemination of scientific knowledge.</p> <p><strong>Open Access - </strong>free for readers, with article processing charges (APC) paid by authors or their institutions.</p> <p><strong>Indexing - </strong>Directory of Research Journals Indexing (DRJI); Google Scholar; Microsoft Academic; Sumários de Revistas Brasileiras (Sumários.org).</p> <p><strong>Reviewer Recognition -</strong> Reviewers who provide full peer review reports receive vouchers that give them a discount on the APC for their next publication in any Editora Sanus magazine.</p> https://journalmhr.com/index.php/jmhr/article/view/30 Impacts on hearing health of children and adolescents resulting from the COVID-19 pandemic 2021-06-18T12:06:54-03:00 Maria da Glória Canto de Sousa gcanto@uneb.br Caio Leônidas Oliveira de Andrade cloandrade@uneb.br Nadja Braite nbraite@uneb.br Maysa Bastos Rabelo mbrabelo@uneb.br Conceição Silva Oliveira cosoliveira@uneb.br Maria Cecília Castello Pereira de Souza mcpereira@uneb.br Mara Renata Rissatto-Lago mrisatto@uneb.br <p><strong>Introduction: </strong>To contain the expansion of the COVID-19 pandemic, social distancing was recommended as containment measure. The teaching remote-online due social distancing , brought the use of electronic devices of sound reproduction to the routine of children. Excessive use of this equipment can cause changes in several organs and systems including the auditory system.<strong> Objective: </strong>Thus, the study aimed to investigate the occurrence of hearing and vestibular impairment in children and adolescents resulting from sound exposure from the use of electronic equipment during the pandemic of COVID-19.<strong> Method: </strong>Descriptive study involving children and adolescents attending teaching remote-online using electronic devices during the period of social distance determined in the pandemic context of COVID-19. Participants answered a form prepared on Google Forms® about sociodemographic data, hearing health, habits of using electronic sound equipment and general health.<strong> Results:</strong> In a total of 80 participants among children and adolescents, there was a high occurrence of auditory and vestibular symptoms ranging from 16 to 27% and occurrence of non-auditory symptoms (headache, anxiety, irritability, stress, and fatigue). More than 50% of the participants use electronic equipment with sound emission for &lt;4 hours for teaching remote-online and &lt;3 hours for other activities. <strong>Conclusion:</strong> The prolonged use of sound electronic equipment during the social distancing during the pandemic context of COVID-19 has led to the occurrence of auditory and vestibular symptoms at an early stage, in children and adolescents, in addition to psychological symptoms that can lead to irreversible damage in the auditory and psychic system.</p> 2021-07-20T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2021 Journal of Multiprofessional Health Research https://journalmhr.com/index.php/jmhr/article/view/31 From spirituality to spiritual care through religion and religiosity: Concepts and challenges for nurses and health professionals 2021-05-25T19:13:33-03:00 Antonio Marcos Tosoli Gomes mtosoli@gmail.com <p>Diferentes autores [1-2] consideram que a espiritualidade se caracteriza por ser uma dimensão intrínseca à natureza humana, quer seja vinculada ou não a uma religião ou religiosidade. No entanto, deve-se reconhecer que desde tempos imemoriais, a religião e a religiosidade são registradas como uma construção humana importante, matriz de proposições legislativas, instância de proteção social e fonte de sentido diante dos absurdos, como o adoecimento e a morte [3].</p> <p>Há um consenso entre os principais autores que estudam a temática [4-5] de que religião, religiosidade e espiritualidade não se apresentam como sinônimos. Outros autores [2] consideram que religião possui relação com identidade social e está vinculada a um corpo doutrinário, enquanto a religiosidade é uma experiência de cunho coletivo, compartilhado ou praticado. A espiritualidade, por sua vez, está relacionada a buscas e práticas subjetivas, mais individuais e não necessariamente institucionais.</p> <p>A religiosidade pode ser compreendida, ainda, como a adesão a uma determinada religião, o que inclui crenças e práticas específicas, e a espiritualidade a relação entre uma pessoa e o ser ou força superiores [6]. Nesta esteira, a espiritualidade se apresenta como mais ampla que a religiosidade e é, simultaneamente, expressa pela religião, apresentando uma ressignificação da vida capaz de enfrentamento de questões como culpa, raiva e ansiedade, demonstrando interesse por si mesmo e pelos demais.</p> <p>Alguns autores [7] apresentam a mesma proposição ao considerar que a religiosidade se relaciona aos dogmas, cultos e doutrinas, enquanto a espiritualidade a aspectos da vida humana que dizem respeito a experiências que extrapolam os fenômenos sensoriais. Reforçam a presença do significado e do propósito no contexto da espiritualidade e à capacidade que esta oferece de adaptação, de reorganização e de construir propósitos mais elevados para a vida cotidiana.</p> <p>Aprofundando especificamente a espiritualidade, pode-se apontar que ela apresenta um sentido e um significado para a vida, na maioria das vezes com tendência a um caráter transcendente [8], enquanto a religião se caracteriza por ser um sistema cultural de crenças e rituais que estão na base da construção de um senso de significado comum e partilhado acerca da realidade, considerada como sagrada e sobrenatural [9]. Destaca-se, ainda, que a religião se caracteriza como um importante processo de decodificação da experiência de Deus relacionando-se, portanto, às dimensões da religiosidade e da espiritualidade [8].</p> <p>Ainda no que tange à espiritualidade, podem ser destacadas, em um primeiro momento, quatro definições importantes, a de qualidade de vida [9], a de saber único de cada indivíduo [10], a de processo experiencial [11] e a de busca de sentido e relação com o sagrado [12]. Esta busca se refere à construção de sentido para o viver e morrer e se desdobra em atitudes e sentimentos como compaixão, solidariedade e amor [13].</p> <p>Com relação ao cuidado espiritual, destaca-se a sua organização em sete grandes dimensões, quais sejam, (1) o respeito pelo paciente, (2) o alívio do sofrimento, (3) a qualidade de vida, (4) o cuidado humanizado englobando empatia, escuta e carinho, (5) o espaço de construção de sentido, (6) a maximização das potencialidades do paciente e (7) como presença do profissional. O cuidado espiritual pode ser organizado ao redor do respeito aos pacientes, desdobrando-se em interações interpessoais favoráveis com a possibilidade de partilha de rituais e a potencialização da força de ambos os atores sociais envolvidos no cuidar [13].</p> <p>Pode ser considerado também como um modo de alívio de sofrimento quando engloba ações que tocam a dimensão religiosa, incluindo a solicitação de entrada de capelães e sacerdotes no processo ou a adoção de práticas específicas, como a oração [13]. Neste sentido, os profissionais passam a ser veículos deste alívio e as suas ações consubstanciam uma totalidade de sentido para o paciente que não existia antes.</p> <p>O cuidado espiritual pode ser visto como uma forma de enfrentamento do processo de doença e de morte associada à maior qualidade de vida em decorrência do estímulo à esperança, do fomento às conexões espirituais pessoais ou da inclusão de tecnologias específicas, como a música e a arte [14]. Elas apontam, ainda, a aproximação dos pacientes com a ideia de transcendente como uma dimensão importante no alcance da própria qualidade de vida.</p> <p>Com relação ao cuidado espiritual caracterizado como humanizado, destacam-se a sua estruturação nos seguintes itens: relação empática, escuta ativa e apoio à pessoa cuidada. Um estudo [2] desenvolvido com acadêmicos de enfermagem aponta a relação entre a espiritualidade e a assistência de enfermagem, demonstrando a importância da relação empática na construção desta assistência e, consequentemente, no próprio cuidado espiritual.</p> <p>No contexto do cuidado paliativo, o cuidado espiritual possui dois esteios principais, quais sejam, o trabalho interdisciplinar e as práticas humanizadas, sendo estas descritas como escuta e relação empática [13]. Por sua vez, a escuta terapêutica é um dos principais métodos do cuidado espiritual, mas nem sempre percebido como tal pelos profissionais de saúde [10], ao passo que também se considera a necessidade de estabelecimento de uma rede de suporte para o cuidado em que a espiritualidade possa ser contemplada através da presença da sensibilidade, da solidariedade, da empatia e da cooperação [15].</p> <p>O cuidado espiritual promove o estímulo às potencialidades das pessoas, o que implica na valorização das suas capacidades, na abordagem de suas esperanças e no desenvolvimento da paz interior, como bases para um enfrentamento saudável das diferentes situações da vida, em especial a doença e a morte [12]. Diferentes autores [7,11] abordam a presença significativa do enfermeiro como um elemento importante do cuidado espiritual, o que também pode ser apontado com relação ao cuidado de enfermagem de um modo geral.</p> <p>A presença do profissional significa uma atenção às necessidades espirituais e gera uma relação de confiança, em especial nas situações de fim de vida [7]. A presença do enfermeiro se apresenta como um aspecto importante na provisão do cuidado espiritual, notadamente porque esta presença requer duas habilidades, a de saber ouvir e a de respeito às crenças e valores dos pacientes. Apesar do destaque dado à figura do enfermeiro, estimula-se que o cuidado espiritual possa e deva ser realizado por todos os profissionais da saúde como uma abordagem holística, culturalmente pertinente e eticamente orientada, possibilitando a construção de sentido diante dos absurdos da existência e maior qualidade de vida no enfrentamento do processo saúde-doença.</p> 2021-05-25T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2021 Journal of Multiprofessional Health Research https://journalmhr.com/index.php/jmhr/article/view/32 Structural racism as a barrier to access health: What does the COVID-19 pandemic reveal to us? 2021-05-27T21:17:40-03:00 Marcio Costa de Souza mcsouzafisio@gmail.com Jairrose Nascimento Souza mcsouzafisio@gmail.com Magno Conceição das Merces mmerces@uneb.br <p>A discussão sobre a raça e racismo tem sido fortemente debatido nos últimos anos no campo acadêmico, o que pode contribuir para o fortalecimento das vozes que ecoam de forma eloquente nos movimentos sociais na atualidade, que reverberam as lutas dos ancestrais escravizados da África, que pesquisadores documentam a existência desta migração forçada desde o século XV, antes mesmo da invasão das Américas, o qual virou palco de um itinerário perverso/forçado de em torno de 12,5 milhões de pessoas que atravessaram o Atlântico de forma violenta [1,2].</p> <p>O conceito de raça foi consubstanciado pela necessidade de afirmação de superioridade dos povos europeus, que apresentam um conceito de “homem universal” na perspectiva de produção de uma norma civilizatória, em que considera como o ideal, e ao mesmo tempo implica numa condição denominada como primitivos/selvagens<sup>2</sup>. Para Krenak (2019) [3], esta concepção exclui os que não apresentam características/formas de vida que assemelham a europeia, considerando-as como quase humanos, ao falar dos povos originários americanos, o que coaduna com o pensamento de Mbembé [4], a qual afirma que população da África era considerada por estes povos como Co humanos.</p> <p>Importante destacar, que estas concepções se amplificam com o intuito de dominação sobre o outro, e que se constitui de forma sistemática no cotidiano das relações e dos interesses destas conexões, e assim, consequentemente se institui o preconceito/discriminação racial como elementos fundantes que instrumentalizam a hegemonia da branquitude e a exclusão dos demais grupos sociais, desta forma se concebe o racismo, que no Brasil, além dos negros, destacamos os povos originários como vítimas desta conformação [2-6].</p> <p>Diante desta realidade, a expropriação do outro se torna uma lógica potente, ao ponto de estabelecer um controle sobre a vida do outro, o qual Foucault [7] denomina de Biopoder, mas que diante das atitudes violentas na qual a morte era o destino, Mbembé [8] o qualifica que o racismo extrapola o controle da vida e perpassa no desejo da morte, o Necropoder, com base em uma Necropolítica. Os africanos escravizados como mercadoria com tempo de validade, a partir de práticas perversas que estabelece um estado de sujeição com a impossibilidade de (re) conhecimento da própria vida, já que esta pertencia a um Senhor, que definia a temporalidade da sobrevivência daqueles que dominavam. Estes elementos foram chaves para a formação do capitalismo e a capacidade do mesmo de dominação do outro.</p> <p>Como consequência de quase 4 séculos de escravidão dos povos africanos, prática normatizada juridicamente, que culturalmente se estabeleceu na sociedade brasileira, e se configurou na atualidade com outras roupagens, com políticas de <em>Apartheid </em>mascaradas, que são alimentadas pelas desigualdades sociais potentes solidificadas pelo racismo estrutural, que se fortifica com o capitalismo e o patriarcado, por meio da interseccionalidade, e se produziu com políticas públicas que ratificaram a indiferença e limitava ações que poderiam corrigir/atenuar estas diferenças que custam vidas [2,9].</p> <p>No que concerne o campo da saúde, um olhar ampliado deste lugar foi edificado diante de pesquisas de natureza científica, que se norteia a partir dos Determinantes Sociais, e diante desta percepção, o processo saúde, doença e cuidado se sustenta na percepção das iniquidades, e dela concebe esta relação, isto se propagou mediante a legalidade do ato a partir da criação do Sistema Único de Saúde (SUS) em 1988 [10].</p> <p>Com base na nova Constituição, que institui a saúde como direito e universal, e consolida a ideia de acesso aos bens e serviços de forma igualitária, reitera-se que alguns grupos populacionais que herdaram a desigualdade racial, também enfrentam barreiras que limitam a capacidade de resolutividade das suas necessidades no âmbito do cuidado integral, que Segundo Souza <em>et al </em>[11], estas barreiras de acesso têm quatro dimensões (econômica, geográfica, funcional e comunicacional/relacional).</p> <p>No que tange a dimensão econômica, esta se relaciona com a dificuldade financeira que atinge grande parte dos brasileiros, e que impedem quando estes precisam custear algo relacionado a sua saúde, A dimensão geográfica, está diretamente ligada a dificuldade de deslocamento, o que pode estar associado a distância, diante de um território brasileiro que é vasto, ou até mesmo, quando necessita ir a mais de um serviço de saúde e não consegue executar este desejo, o que conecta fortemente com a barreira econômica. Ao passo que a funcional, pode ser compreendida quando os serviços de saúde não dão conta de resolver o que o usuário demanda, no sentido prático e/ou holístico da saúde; e a comunicacional/relacional, perpassa pela dificuldade expressada pelos usuários nos encontros com os trabalhadores e nos serviços de saúde, que por vezes impedem que aquele que procura tenha sua finalidade alcançada. Estas barreiras são responsáveis por itinerários terapêuticos tortuosos ou que não dão conta de atender as necessidades/demandas dos usuários [11,12].</p> <p>Ao conectar os fundamentos das barreiras que dificultam e/ou limitam o acesso, e analisando de forma mais profunda, podemos afirmar que as barreiras geográfica e econômica se perpetuam pela vida precária do “cidadão” brasileiro que vive nas periferias e guetos, e depende de deslocamentos longos e não têm condições financeiras para arcar com o que a realidade do cuidar em saúde exige. No que tange a funcionalidade dos serviços como barreira, a forma com o qual as ações e serviços de saúde são pensados e realmente executados, atendem a uma lógica reducionista e sem considerar de forma ética/política a vida do outro e tornam-se incapazes de solucionar o que os usuários almejam. E quando a dimensão observada é a comunicacional/funcional, esta pode associar a o elemento do poder sobre a vida, que tanto se alicerça com a construção social de uma assimetria do profissional com o usuário, e que se potencializa com a diferença produzida pela desigualdade/diferença de classes, perceptível no campo da saúde, comparado com a maioria dos usuários do SUS.</p> <p>Desta forma, o conceito de racismo estrutural<sup>2</sup>, que se concebe diante da organicidade das instituições e se materializam na sociedade, e se dispõe de forma real, como uma tessitura de elementos constitutivos das desigualdades raciais produzidas nos 350 anos de escravidão, esta se revela como principal barreira de acesso, e as dimensões supracitados como subcategoria deste [13]. Esta indiferença é fabricada para a construção de corpos e vidas assujeitadas, que não podem ser semelhantes, nutridos com uma retórica produzida que tenta diferenciar de forma genética, física ou antropológica, a humanidade, e para além das raças, elaboram estratégias de controle que incluem também o gênero [4,6].</p> <p>Diante desta realidade de vida da população negra, em 2019 surge uma nova doença, a COVID-19 na cidade de Wuhan na China, que rapidamente se expande pelos diversos continentes do mundo, transformando-a em uma Pandemia, a qual avança inicialmente no Brasil para as classes sociais privilegiadas, pelo contágio ocorrer por meio de viagens a Europa, condição que a população pobre não lhe é permitida, mas que rapidamente abrange também as camadas sociais mais vulneráveis, o que pode ser demonstrado em trabalhos acadêmicos uma maior prevalência em pardos e pretos, que a considerar a condição socioeconômica desta parte da sociedade, a transforma em uma Sindemia [14-20].</p> <p>Como consequência desta realidade, há um crescimento desenfreado das mortes, e revela uma naturalização destas, algo que já é visível pela epidemiologia da morte por causas externas no cotidiano das cidades brasileiras, mas que evidenciam uma conexão com a barreira do racismo estrutural, no qual condiciona como prática não garantir uma saúde de qualidade, um cuidado integral e humanizado, que se fundamentam da indiferença étnica-racial dos negros e índios que vivem nesta nação, ou seja, o Necropoder e a Necropolítica se concretizam/consolidam diante desta Pandemia/Sindemia[21-23].</p> <p>É mister afirmar que, é indispensável que políticas públicas que se firmem na concepção da discriminação positiva, que compreendam a necessidade de ações equânimes que combatam o racismo estrutural, que deste moto possibilite um cuidado de natureza subjetiva, integral e humanizada, e não se restrinjam a ampliação de serviços, mas que ofertem ações de saúde qualificadas para reduzir/eliminar esta realidade, e que esta finalidade seja alicerçada com processos formativos nos serviços (Educação permanente), na graduação, na pós-graduação, mas também nas escolas públicas e privadas, com intuito de formar humanos que entendam que todos são iguais e não há diferença de sujeitos pela racialização.</p> <p>Destarte, faz-se necessário que fatores econômicos e geográficos sejam eliminados oportunizando de forma igualitária as ações e serviços de saúde, além da funcionalidade plena destes, e que ao romper estas barreiras permitam um atendimento humanizado, e que o acolhimento, vínculo, escuta e diálogo sejam ferramentas de sujeição, de construção de seres autônomos, que produzam reflexões sobre a condição/necessidade do outro para que a naturalização da diferença e assujeitamento seja perceptível e extinto. Para tanto, é primordial que as desigualdades raciais/sociais sejam combatidas com políticas de Estado permanentes, e isto só será possível com a distribuição equânime de renda, dignidade e respeito, somente desta forma, o Racismo estrutural poderá ser eliminado na nossa sociedade.</p> 2021-05-27T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2021 Journal of Multiprofessional Health Research https://journalmhr.com/index.php/jmhr/article/view/26 Integrative and Complementary Health Practices and health workers in the health crisis of COVID-19 2021-03-31T21:00:55-03:00 Kairo Silvestre Meneses Damasceno kairodamasceno@hotmail.com <p><span data-contrast="auto">As Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) correspondem a sistemas terapêuticos que buscam estimular a prevenção e a recuperação da saúde por meio de uma abordagem holística que abrange os aspectos físicos, mentais, sociais e ambientais do indivíduo, além do acolhimento e formação de vínculos terapêuticos. Estas práticas contribuem para a ampliação do cuidado em saúde, para a racionalização das ações de saúde, motiva a participação social, pois envolve usuários, gestores e trabalhadores, e proporciona maior resolutividade nos serviços de saúde [1].</span><span data-ccp-props="{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:709,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:360}"> </span></p> <p><span data-contrast="auto">Foram institucionalizadas no Sistema Único de Saúde (SUS) através da Política Nacional de Práticas Integrativas Complementares de Saúde (PNPICS), aprovada pela Portaria GM/ MS nº. 971 de 2006. Atualmente, as PICS são representadas por: </span><span data-contrast="auto">Apiterapia</span><span data-contrast="auto">, Aromaterapia, Arteterapia, </span><span data-contrast="auto">Ayurveda</span><span data-contrast="auto">, </span><span data-contrast="auto">Biodança</span><span data-contrast="auto">, Bioenergética, Constelação Familiar, Cromoterapia, Dança Circular, </span><span data-contrast="auto">Geoterapia</span><span data-contrast="auto">, Hipnoterapia, Homeopatia, Imposição de mãos, Medicina Antroposófica, Medicina Tradicional Chinesa, Meditação, Musicoterapia, Naturopatia, Osteopatia, </span><span data-contrast="auto">Ozonioterapia</span><span data-contrast="auto">, Plantas medicinais/Fitoterapia, Quiropraxia, </span><span data-contrast="auto">Reflexoterapia</span><span data-contrast="auto">, Reiki, </span><span data-contrast="auto">Shantala</span><span data-contrast="auto">, Terapia Comunitária, Terapia com Florais, Termalismo Social e Yoga, totalizando 29 práticas que ampliam o escopo de cuidados à saúde [1] </span><span data-ccp-props="{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:709,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:360}"> </span></p> <p><span data-contrast="auto">As PICS podem ser uma importante estratégia para a amenização do sofrimento mental dos trabalhadores de saúde no atual contexto da pandemia da COVID-19, provocada pelo vírus SARS-CoV-2. Esta crise sanitária trouxe fatores estressores e desafios laborais aos trabalhadores de saúde, a exemplo da quantidade insuficiente de materiais, insumos e equipamentos de proteção individual, falta de estrutura e suporte logístico, aumento da sobrecarga de tarefas e da jornada de trabalho, medo de contágio e transmissão aos familiares, medo do isolamento social e familiar, perda de pacientes e familiares em decorrência do vírus, baixos salários, desvalorização profissional e discriminação por serem da área de saúde e eventuais transmissores, medidas de proteção e </span><span data-contrast="auto">biossegurança pouco claros, ambientes insalubres, treinamento inadequado, dificuldades de gerenciar a ansiedade e sofrimento dos pacientes, entre outros estressores [2-7].</span><span data-ccp-props="{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:709,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:360}"> </span></p> <p><span data-contrast="auto">Tal cenário é propicio para o desenvolvimento de um ambiente favorável a transtornos psicossomáticos e mentais, como ansiedade, estresse psicológico, crônico e ocupacional, exaustão, esgotamento profissional, depressão, aumento do uso de álcool e outras drogas, sono inadequado, medo, fadiga, frustração, preocupação, incertezas sobre a crise, dentre outros [3-11].</span><span data-ccp-props="{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:709,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:360}"> </span></p> <p><span data-contrast="auto">Nesta perspectiva, são essenciais a adoção de medidas protetivas e de cuidados aos trabalhadores de saúde tendo em vista o fato de estarem mais vulneráveis ao contágio pelo vírus SARS-CoV-2, além da urgência necessidade de se garantir o maior quantitativo possível destes trabalhadores no enfrentamento e combate à pandemia e a prestação de serviços eficientes e de qualidade [6,7].</span><span data-ccp-props="{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:709,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:360}"> </span></p> <p><span data-contrast="auto">Desta forma, dentre as PICS legitimadas no SUS, tem-se, por exemplo, a </span><span data-contrast="auto">auriculoterapia</span><span data-contrast="auto">, que integra a Medicina Tradicional Chinesa, sendo uma alternativa efetiva para redução dos níveis de ansiedade e estresse ocupacional exacerbados pela pandemia da COVID-19 nos trabalhadores de saúde. Sua plausibilidade biológica baseia-se na estimulação de pontos auriculares específicos e, consequentemente, estimulação de áreas cerebrais e do sistema nervoso vegetativo de maneira a produzir </span><span data-contrast="auto">neuromediadores</span><span data-contrast="auto"> e neurotransmissores que agem na homeostase do organismo e no reequilíbrio energético do corpo [12].</span><span data-ccp-props="{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:709,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:360}"> </span></p> <p><span data-contrast="auto">Outrossim, a </span><span data-contrast="auto">auriculoterapia</span><span data-contrast="auto"> é uma terapia viável por ser uma prática segura, de baixo custo, fácil aprendizado e aceitação, além de poder ser aplicada para diferentes tipos de enfermidades. Nesse sentido, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) oferta o curso semipresencial de </span><span data-contrast="auto">auriculoterapia</span><span data-contrast="auto"> para capacitação de profissionais de saúde do SUS, em especial da atenção básica, como forma de disseminá-la nos espaços de saúde e aumentar a oferta de cuidados em saúde, sobretudo na Atenção Primária à Saúde, com milhares de profissionais de saúde já concluintes [13,14].</span><span data-ccp-props="{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:709,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:360}"> </span></p> <p><span data-contrast="auto">A </span><span data-contrast="auto">auriculoterapia</span><span data-contrast="auto"> tem sido objeto de estudo no contexto da pandemia e com resultados promissores como a melhoria do conforto físico e </span><span data-contrast="auto">psicoespiritual</span><span data-contrast="auto">, estímulo ao autocuidado em saúde e uma tecnologia potencializadora da disposição para o enfrentamento das situações físicas e psicossociais pelos trabalhadores de saúde atuantes na pandemia [15,16].</span><span data-ccp-props="{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:709,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:360}"> </span></p> <p><span data-contrast="auto">Por conseguinte, a </span><span data-contrast="auto">auriculoterapia</span><span data-contrast="auto"> e as demais PICS podem ser importantes aliadas na redução do adoecimento dos trabalhadores de saúde, tendo em vista melhorar a qualidade de vida, aumentar a sensação de bem-estar e, por sua vez, diminuir afastamentos, absenteísmos e contribuir para a prevenção de agravos, recuperação da saúde e enfrentamento aos desafios da pandemia.</span><span data-ccp-props="{&quot;201341983&quot;:0,&quot;335551550&quot;:6,&quot;335551620&quot;:6,&quot;335559731&quot;:709,&quot;335559739&quot;:160,&quot;335559740&quot;:360}"> </span></p> 2021-05-30T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2021 Journal of Multiprofessional Health Research